COMO FAZER MARKETING JURÍDICO, seguindo o ordenamento e o cerébro.

Updated: 4 days ago








Quando falamos em marketing jurídico de conteúdo cometemos um pleonasmo.


O ordenamento jurídico vigente no tocante à advocacia – aqui, vou me ater apenas a dois diplomas: o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil – L. 8.906 de 4 de julho de 1994 (Lei federal) – e o Código de Ética e Disciplina da OAB (ato normativa da própria OAB) – prevê nos art.5 c/c art.7 c/c art. 28, Código de Ética e DIsciplina OAB, em suma, que é proibido ao advogado mercantilizar a advocacia, a inculcação ou captação de clientela através do oferecimento dos seus serviços, mas, que este “...pode anunciar os seus serviços profissionais, individual ou coletivamente, com discrição e moderação, para finalidade exclusivamente informativa...” – ipsis litteris art. 28.


Assim, da inteligência destes três artigos tiramos, sem muito espaço para dúvida, que os advogados podem, unicamente, fazer marketing de conteúdo, morando aqui o pleonasmo. O Marketing Jurídico TEM QUE SER DE CONTEÚDO. Se você, como eu, é atento a etimologia das palavras, o marketing de conteúdo é chamado pelos marketeiros de INBOUND MARKETING – como advogados, eles também gostão de termos pomposos...

Uma maneira filosófica de compreender alguma coisa é a contraposição. Então, começarei explicando o que é OUTBOUND MARKETING, para você entender o que o Ordenamento Jurídico nacional VEDA VEEMENTEMENTE.

Para entender, imagine-se nos anos 2000 sentado no sofá assistindo a TV por volta das 21H. Assim que entrava o comercial de Por Amor, aparecia o bendito rapaz do: “QUER PAGAR QUANTO?” e logo em sequência em enxurrada de lavadoras, máquinas de secar, box de cama e as mais diversificadas coisas, que você NÃO PEDIU PARA VER, desfilavam em frente à seus olhos.

Você não tem, nem ao menos, um canal aberto para reclamar do comercial no momento que ele está te incomodando...

Este é o outbound marketing: o vendedor/prestador de serviço aborda o possível cliente/prospect oferecendo o(s) produto(s)/serviço(s) sem que este tenha pedido por isso. A comunicação se dá em um sentido só, a empresa fala diretamente com o prospect e este não tem possibilidade de responder de pronto, no mesmo canal.

Transmitindo para o mundo pop jurídico: é o Saul Goodman das séries Better Call Saul e Breaking Bad estampando seu rosto nos outdoors. “E se você tiver algum problema com sua APOSENTADORIA é melhor LIGAR PARA O SAUL!” direcionado para os asilos de idosos dos Estados Unidos, seguido de uma ligação do próprio advogado oferecendo seus serviços.

Do ponto de vista negocial, é genial, ele subnichou os clientes – aposentados -, direcionou o speach de vendas no canal mais assistido pelos prospects – tv dos asilos – se posicionando como autoridade no assunto e alguém que podia ajudar e, na sequência, liga para fazer o prospect atravessar a “jornada de compra” e sair do funil como um feliz cliente.

Eu gosto muito de pensar naquele programa, “Teste de fidelidade” do João Kebler. Imagina que na hora que o pobre adultero vai realizar ato libidinoso com a atriz o apresentador volta gritando: “PAROU, PAROU, PAROU”, neste momento entra na tela o dr. Luiz Fabio Rogério Maloso Silva Orleans Bragança dizendo: “Meu amigo, você está nesta situação? Sua esposa viu seu video na cama com outra? Quer o divorcio e ficar com metade dos seus bens? Então é melhor você ligar me ligar, doutor Luiz Fábio Rogério, para que eu salve seu dinheiro do adultério! Se ela lhe agredir ainda consigo um cascalho extra...”.

Mas do ponto de vista legal, configura penalização que vai de advertência até a exclusão dos quadros da ordem. Cheira o risco da ruína, péssimo caminho. Advogados são dotados de uma capacidade de vencer o jogo dentro de um tabuleiro – regras arbitrárias – a eles impostos.

Então, este é o tipo de marketing que o advogado NÃO PODE FAZER: Outbound marketing ao melhor estilo Saul Goodman ou dr. Luiz Fábio Rogério – se você não sabe de quem eu estou falando, de uma “googlada”.

Agora que definimos o negativo, vamos para seu oposto positivo: como se pode, e mais do que isso, DEVE-SE, fazer marketing jurídico? Valendo-se do INBOUND MARKETING.

O cenário aqui é oposto, a ideia é que o consumidor vá até o prestador de serviço, ou vendedor do produto para que, a partir daí, este possa oferecer seus serviços/produtos. O advogado, como determina o Código de Ética e Conduta, precisa ser como uma flor e os clientes como borboletas que vão tomar seu néctar. Mas, esta flor aqui gosta de ser jardineiro. Escala, nobres colegas. Se você precisa de borboletas plantem um jardim floridíssimo no lugar certo e tenha certeza de que elas virão.

Trocando para a linguagem do marketing: você precisa atrair leads QUALIFICADOS que atravessem com facilidade, e de preferência por eles mesmos, a jornada de compra. Um advogado faz isso determinando, primeiro, qual sua área de especialidade, em seguida determina quem é seu público-alvo e seus avatares. Usando a expressão inglesa, “vestindo as botas” dos seus avatares ele se pergunta: do que eu tenho medo? Quais são meus problemas? Onde eu quero chegar? Quais são minhas aspirações? Como um advogado especializado pode me ajudar a atingir meus objetivos? O que eu ganho se eu procurar o advogado? O que eu estou arriscando perder se eu não o fizer AGORA?

Com estas repostas em mãos, a foto dos seus avatares na parede do seu escritório, conversa frequente com seus clientes, o advogado vai produzir conteúdo voltado a atender as dores e aspirações desse avatar. Vai entregar TUDO o que ele tem, na linguagem mais acessível possível PARA O PROSPECT – tem que falar como motoqueiro para motoqueiros, como “startapeiro” para CEOs de startup, como marketeiro para CMOs, juridiquês para advogados, ..., - no canal aonde seus prospects estão – instagram, facebook, linkedin, jornais, palestras em sindicatos, aulas para médicos, use sua criatividade, doutor(a).

Não tenha medo de “entregar o ouro”. Os clientes, tirando raras exceções, não podem postular em causa própria. E adivinha só quem eles vão escolher como patrono para o divórcio deles? O Francisco, formado em Harvard, que eles não tem a menor ideia de quem seja já que nunca apareceu em lugar nenhum para os clientes e ficou esperando eles se materializarem na frente de sua mesa? Ou o Chico, formado na UNIETECETERA, que aparece todo santo dia no celular deles explicando as minúcias do direito das famílias?


Você pode não assumir, ou ficar até desgostoso, mas você sabe qual é a resposta. Por isso, nobres colegas, mãos à obra! Posicionamento, constância e storytelling vão certamente trazer clientes, um diploma pendurado na parede, uma cadeira DRAGON´S CHAIR (jogue no google, vale a pena) e uma mesa de mogno não vão te trazer apenas mais contas para pagar se você ficar parado esperando.


Como diria Simon Sinek, prospera aquele que joga o jogo infinito, mas isso é conversa para outro dia. Forte abraço!

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