Da sala para advogados ao coworking jurídico, ou sobre COMO e PORQUE ter um escritório de advocacia.

Se você dedicou cinco, talvez mais, anos da sua vida a cursar a faculdade de direito com certeza você já ouviu de algum familiar, normalmente seus pais, ou amigo, ou, pior ainda, do seu sogro: “o que você vai fazer quando se formar?”.


Nobre colega, esta pergunta vem arrepiando a espinha dos jovens há muitos séculos. Quando este que vos escreve teve de passar pelo interrogatório costumava dizer: “Serei funcionário público. Estudo com muito afinco para me tornar Defensor Público...” – um idealista, como já podem perceber. Não vou me demorar muito aqui, mas, no meu tempo, as respostas possíveis para esta capciosa pergunta eram poucas. Na Faculdade Nacional de Direito – saudosa FND -, integrante da ilustre Universidade Federal do Rio de Janeiro, meu olhar sobre o mercado de trabalho foi treinado a procurar por tres coisas:


a) concursos públicos: um simples comparativo, fruto de uma “googlada”, entre a média salarial, no início de carreira, entre um advogado privado e um servidor público demonstra o porquê da escolha;

b) advogado de grandes escritórios: afinal, você não é maluco de tentar abrir seu próprio escritório...ou é?;

c) jurídico de grandes empresas.


Voltando para a pergunta capciosa, ela era seguida de uma de suas primas-irmãs: “mas você não pensa em abrir seu próprio escritório? Em procurar uma sala para você advogar...”.


Chegamos, agora, à questão etimológica – que diz respeito a história da palavra - fundamental deste texto: a tal da “sala para advogados.”. Mas vamos dar um passo atrás antes de dar vários à frente.


O direito, como matéria humana, tem como pedra filosofal as pessoas – ou pelo menos deveria ter. Advogados se alimentam – ora que os honorários advocatícios têm natureza alimentar – das lides oriundas do vilipêndio de algum direito. Trocando em miúdos: vive de resolver o problema dos outros quando estes não conseguem, ou não querem, por seus próprios meios. “Sem advogado não existe justiça.”, disse o adesivo colado no vidro traseiro de um belo T-CROSS no estacionamento do TJRJ.

Pois bem, como são tratados problemas delicados, o advogado precisa se posicionar como um grande farol guia em meio à tormenta. Como aquele que sabe o que tem que ser feito. Para isso precisa transmitir valores como: seriedade, serenidade, empatia, altivez, força, status, sabedoria, conhecimento técnico – não confunda com juridiquês para esconder a falta de orgulho próprio – e, muitas vezes, glamour. Aqui entra a tal da “sala para advogados” que meus parentes e meu sogro me perguntavam.


No imaginário, dos não versados e dos juristas, mora aquela imagem de um balcão de mármore, lindos sofás de couro, uma recepcionista – me desculpem a imagem machista, mas sim, mulher – um móvel com o vaso mais ornamentado e caro que você já viu na sua vida e a incrível sensação de: “hoje vou gastar um dinheirão.”. Acredito que esta estética seja, também, responsável pela ideia de que ter acesso aos seus direitos é coisa de gente rica. Como se já não bastasse a dificuldade em acessar os textos das leis para entender quais direitos a pessoa tem, ainda tem o tal vaso mais caro do mundo no móvel de canto.


Para a nossa sorte, a “sala para advogados” evoluiu e hoje não precisamos ver todo nosso lucro ser transformado em gastos com estrutura: aluguel + condomínio + luz + IPTU + internet + salário da secretária + preço dos balcões de mármore e do vaso da dinastia Ming – embora a maioria dos nossos colegas ainda o faça e, por isso, não consiga ter um escritório tão próspero assim nos números...embora no design pareça. Hoje você consegue toda a estrutura que você precisa para seu efetivo posicionamento no mercado jurídico pagando-a pelo quanto você a utiliza.


No longínquo, e pacato, ano de 2005, o engenheiro de software Brad Neuberg criou o que hoje chamamos de “coworking”, ou de “escritórios compartilhados”. A ideia aqui é minimizar os custos através da maximização do aproveitamento dos espaços, gerando, inclusive, entre os usuários networking e cross sells.


Para combater a escalada infindável dos preços do mercado imobiliário, dos custo adminimistrativos, e dos encargos trabalhistas, e, ao mesmo tempo, reduzir a baixa ocupação de alguns espaços – eu trabalhei em um escritório que tinha 5 salas de reunião, sendo que apenas 2 eram utilizadas – o plano é atacar as duas frentes que fazem do negócio lucrativo: por um lado aumentar as receitas (com a ajuda do networking, associações entre advogados e das cross sells) e, por outro, reduzir os gastos.

Mas advogados em um coworking? Uma primeira dúvida que surge é se não seria vedado pela estatuto da OAB, ora que esta veda a prestação de serviços diversos à advocacia no mesmo lugar. Reiterados julgados dos comitês de ética, e o projeto de alteração de código de ética - que está para ser votado - cristalizam o entendimento de que é sim permitido ao advogado praticar sua advocacia de um coworking, mesmo que o espaço seja dividido com profissionais de outras áreas.

A segunda dúvida é referente ao modelo de trabalho que a advocacia demanda. É um trabalho, em sua maioria, cerebral, exigindo horas de leitura e minutagem de petições. Ou seja, é impresindível que o local de trabalho seja propício para se manter focado - seja silêncioso.


A terceira diz respeito aos clientes. Escritórios de advocacia, como já dito ao longo de todo o texto, tem uma auréa própria de status. Encantar os clientes demanda algumas atenções a pequenos detalhes que os coworkings que atendem todas as profissiões não se atentam.


No final de 2020, pensando em todos estes pontos, surgiu o Coetus Coworking, o único coworking jurídico do Rio de Janeiro desenvolvido por advogados. Trata-se de um espaço de trabalho para operadores do direito, estudantes e startups da área que busca proporcionar a seus usuários o melhor ambiente possível para desenvolver a advocacia com excelência por preços baixos.


Sabemos que o mercado jurídico tem potencial para ser extremamente lucrativo, buscamos, então, a excelência de nossos clientes fornecendo serviços de escritório de qualidade, internet de altíssima velocidade, salas de reunião, de atendimento, de audiência, escritórios privativos (espaço Rui Barbosa), espaços compartilhados (espaço Luís Gama), mesas dedicadas (espaço Lolita Aniyar), serviços de secretariado e escritório de advocacia virtual, aliados à um preço justo para que, além não se preocupar com nada, que não seja sua advocacia, você não tenha muitos gastos com isso.


Montar uma "sala para advogado" já não era dos melhores meios, hoje em dia, com certeza, é das escolhas menos acertadas se você busca prosperar com sua advocacia.


Até a próxima.





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